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sábado, 26 de maio de 2012

Prenúncio do fim do que ainda nem começou

São mais de dois anos do atual governo do Piauí. E, para ser sincero, tem sido um governo de estagnação da administração pública e de geração de animosidades com alguns setores do próprio funcionalismo. Não se vislumbra em nenhum órgão estadual predisposição para se planejar alguma coisa. Ou tudo é feito de afogadilho ou então quase nada é realizado. O tempo passa, e pronto, fica por isso mesmo. No interior, há região que, para muitas pessoas, sequer existe governo. E, em outras partes, é governo de práticas simplistas. Na Capital, para ser realista, só se sabe que existe governo por causa das greves que lhe são contrárias e porque o Palácio de Karnak está funcionando no mesmo lugar de sempre. Por isso, é voz corrente dos piauienses que o atual governo não fez nem fará quase nada em prol do coestaduanos. 

O pior é que todo governo, mesmo fraco, começa, e do meio para o fim é que vai se arruinando. Este é diferente, ainda nem começou, por isso nunca fez pesquisa de avaliação. Eu quero ver como ele vai terminar, e se terminar, porque se sabe de um sem-número de ações eleitorais que se forem julgadas rapidamente e aplicadas regiamente o animus dos preceitos eleitorais não chegará ao final do mandato. Os piauienses, aos poucos, estão acordando da anestesia que lhes foi aplicada em 2010 e percebendo ao seu redor que tudo não passava de vibração. E que assim foi orquestrado um plano político-eleitoreiro de escamoteação da realidade e de elaboração de sonhos que muitos foram levados a acreditar sem ter a possibilidade de sua concretização. 

Observa-se que até agora o governo não tem marca. Não fez nenhuma obra estruturante em nenhuma região do Piauí que marque o governo nem as reformas que a administração publica moderna exige para dar um salto de desenvolvimento no Estado. Mas no programa eleitoral, foi prometido desenvolvimento para o Piauí. Esperava-se, ao menos, que fosse concluído a porto de Luis Correia e a Transnordestina para dar suporte ao desenvolvimento econômico estadual. Mas este governo engasga-se com pouca coisa, como o Centro de Convenções e a Potycabana. Mas um pouco que até serviria, pois é melhor do que nada. Em razão do marasmo como as coisas acontecem no governo até a esperança – que já era escassa - vai se exaurindo totalmente. 

Não obstante, o governo não é de todo ineficaz, ele tem a sua marquinha. É a marca da amigocracia, pois o governador nomeou a sua esposa e irmão para o primeiro escalão administrativo. Tem dois filhos concursados que serão contratados como servidores estaduais no órgão em que a mãe era a principal gestora. Tem a esposa empossada no Tribunal de Contas. Ressuscitou na administração alguns políticos que estão enquadrados na lei da Ficha Suja e outros que estão respondendo processos por improbidade administrativa. Tem aturdido a vida dos funcionários públicos por ter dificuldades de lidar com os contrários e por isso dificulta o cumprimento do mínimo que eles reivindicam e daí esses segmentos deflagrarem greves duradouras como no caso dos professores, e que por isso lhes foi jogado pimenta nos olhos. 

Todos sabem que governar não fácil nem é para todo mundo. Portanto, quando se está no lugar errado nunca é demais se recorrer a quem sabe. Nesse contexto, convém lembrar o que disse o grande pensador romano Marcus Tullius Cícero, no auge do Império Romano, no ano 55 a.C, mas que ainda é muito atual: “O orçamento nacional deve ser equilibrado. As dívidas devem ser reduzidas, a arrogância das autoridades deve ser moderada e controlada. Os pagamentos a governos estrangeiros devem ser reduzidos se a nação não quiser ir à falência. As pessoas devem, novamente, aprender a trabalhar, em vez de viver por conta pública”. Desume-se daí que as finanças estaduais não são lá tanto equilibradas, às vezes é até deficitária. Geralmente a empáfia de alguns membros do governo é marca registrada. O governo está tomando dinheiro emprestado a fundo de países estrangeiros (Banco Mundial). E alguns dos assessores do governo não têm sequer lotação para cumprir as suas tarefas. Uma saída, em vez dos assessores, deveria seguir ao menos dos ensinamentos do velho orador, jurista e político romano Cícero. 
Deusval Lacerda de Moraes