domingo, 2 de março de 2014

O anticandidato

Em 1973, sabendo que iria participar de uma eleição na qual sairia perdedor, Ulysses Guimarães, líder do MDB, lançou-se anticandidato. “Não é o candidato que vai percorrer o País. É o anticandidato, para denunciar a antieleição, imposta pela anti-Constituição”, disse Convenção do MDB de 23 de setembro de 1973, que o lançou tendo Barbosa Lima Sobrinho como candidato a vice. Passados 41 anos, um deputado federal do partido que sucedeu o partido de oposição à ditadura, Marcelo Castro (PMDB), lança-se pré-candidato a governador do Piauí, com apoio de uma super estrutura político-partidária, o que dá a ele musculatura para competir, polarizar a campanha e, quem sabe, até vencer. Só que Castro se posta como anticandidato. Não um Ulysses que se sabia derrotado e estava construído a ruína do adversário, mas o candidato que se esfalfa para fazer a glória do opositor. Isso porque Marcelo é um pré-candidato que não se cerca de cuidados, não tem uma agenda própria – vive a reboque do seu padrinho, o governador Wilson Martins – e até para topar a disputa foi buscar um vice que tem mais intenções de votos que ele. Desse jeito, termina fazendo o que Ulysses não fez: botar a cereja no bolo de quem combatia.

Por: Arimatéia Azevedo