sexta-feira, 7 de março de 2014

Zé Filho governador. O que Parnaíba ganha com isso?


Os acontecimentos políticos no Piauí apontam para algo já considerado certo. Em menos de 30 dias o vice-governador, Moraes Souza Filho (PMDB), será o governador do Estado em virtude da desincompatibilização do titular Wilson Martins (PSB) para poder concorrer à vaga que se abre para o Senado Federal. Este prelúdio é, por demais, insuficiente para predizer o que o Piauí vai ganhar ou perder com esta passagem meteórica de mais um parnaibano pelo Karnak. Mas é certeza que o novo governador e os seus séquitos serão os primeiros beneficiados por esta engenharia política em curso.                                                                       Independente de ser bom ou ruim para o Piauí, Zé Filho ganha ainda mais notoriedade e influência, além de algo que os políticos admitem sem qualquer cerimônia: passará a ter nas mãos o aparato governamental que poderá ser ou não usado para “bombar” as candidaturas dos mais chegados. Ou seja, não escondem que, à sorrelfa, a máquina pública será um instrumento de campanha. Ou, então, o que diacho os comentaristas políticos querem dizer com a expressão “ter a caneta na mão”, algo tido e havido entre eles como preponderante numa época dessas?


Pois é. Sabemos que o governador Zé Filho e seus chegados estarão em menos de 30 dias “por cima da carne seca ou com a faca e o queijo na mão”, no dizer de uns; ou “mandando chover e fazer sol”, na metáfora de outros.

Mas, o que se espera, de verdade, é que neste seu mandato tampão o governador não se embeveça demais com o cargo, nem se extasie com as cortesias e bajulações que virão aos borbotões. Muita serenidade neste momento, pois, por mais acolchoada que seja a cadeira de governador, ela não é o trono nababesco de um sultão ou de um marajá das arábias. Não! Esta cadeira que o Excelentíssimo Senhor Governador vai sentar é o centro de comando de um Estado rico em potencial, mas que ainda luta bravamente para sair da pobreza estabelecida ao longo de governos oligarcas e populistas pelos quais ninguém é doido de por a mão no fogo, quando o assunto é honestidade. É bem verdade que crescemos muito nos últimos anos com o alinhamento do Piauí com o governo federal, mas é certo que numa projeção menor que os nossos vizinhos nordestinos. Precisamos pegar o embalo do Ceará, por exemplo.

Então, governador, não vá na onda dos paparicadores profissionais e interesseiros, muitos deles jornalistas que nos seus blogs, colunas e programas pintam um quadro glamouroso de funções públicas que, na verdade, estão verdadeiramente afetadas por altas responsabilidades e grandes preocupações. O Piauí não é o “senadinho” do shopping, nem os salões onde circulam representantes da parcela incluída socialmente. O Piauí é a escassez de água no sertão, a indústria incipiente a partir da capital, o turismo claudicante do litoral com seus apagões e colapsos no abastecimento d’água, o abandono da orla de Atalaia ao vento e à maresia, um porto em Luis Correia se acabando em ferrugem ao tempo em que naufraga milhares e milhares de reais e uma ZPE que há de meia década patina com apenas 15% das suas obras. Esqueça, governador! O Piauí dos piauienses não combina com essa coisa de glamour que, historicamente, contamina os círculos do poder em nosso Estado, ainda alimentado pela ignorância de muitos e por uma imprensa sanguessuga.
Bem, já que sabemos que o senhor, governador, é legitimamente o grande vitorioso em termos político e pessoal, chegou a hora da pergunta crucial: Onde é que o Piauí entra nesta história? O que o Piauí ganha com isso? Mas, não é necessariamente aqui que queremos chegar. Para os parnaibanos a pergunta é mais incisiva: O que Parnaíba ganha com sua ascensão ao lugar mais alto de um pódio tão pobre? (Isso mesmo: pobre. O senhor não é o governador de São Paulo, de Minas Gerais…)
O senhor será o quarto parnaibano a adentrar triunfante por aqueles jardins de Burle Marx. O que vai fazer deste momento histórico na vida do povo piauiense? Vai o senhor manejar a caneta em prol do desenvolvimento de regiões importantes como nosso litoral e a estratégica cidade de Parnaíba ou vai pegar estes nove meses do precioso tempo do povo piauiense e desperdiçá-lo com ações politiqueiras nos chamados currais eleitorais no afã de eleger deputados estaduais e federais, o governador e o senador do seu lado?

Será o senhor mesmo, governador, que escolherá agora como quer ser lembrado de janeiro em diante. Seu nome será gravado na história como o governador que inovou e deu a largada para algumas ações importantes para o desenvolvimento do Estado em apenas nove meses de governo ou como aquele governante que emprestou sua pena aos projetos eleitorais, pessoais e mesquinhos de velhas raposas políticas.
Governador, o senhor tem uma caneta cheia e algumas páginas em branco. Faça bom proveito em benefício do Piauí. E de Parnaíba, sua terra!
Por:F. Carvalho, editor do www.a24horas.com