quarta-feira, 5 de abril de 2017

PARNAÍBA EXPRESSA POR PERÍFRASES


                                             Alcenor Candeira Filho 

     Várias cidades são identificadas não só pelo nome verdadeiro mas também através de um recurso estilístico denominado “perífrase”: rodeio de palavras utilizado em lugar do nome comum ou próprio, destacando algum de seus atributos. 
     A perífrase (do grego “periphasis”), também chamada de “circunlóquio”, é uma variedade de “antonomásia” – designação de uma pessoa, objeto ou entidade por outra denominação: “Poeta dos Escravos” [= Castro Alves], “Salvador” [= Jesus Cristo], Última Flor do Lácio” [= latim]. 
     Normalmente as construções perifrásticas são bem conhecidas e facilmente associadas às palavras substituídas. Quando não se pressupõe conhecido o termo disfarçado por seu intermédio, a perífrase se torna viciosa ou de qualidade inferior, passando a configurar a denominada “perissologia”. Exemplos de circunlóquios de boa qualidade: 
     - “Cidade Maravilhosa” [= Rio de Janeiro] 
     - “Cidade Eterna” [= Roma) 
     - Cidade Luz [= Paris] 
     - Cidade Verde” [= Teresina] 
     - País do Sol Nascente” [= Japão] 
     O poeta cearense Paula Ney usa uma bela perífrase no soneto FORTALEZA: 

                     “A Fortaleza – a loira desposada 
                     Do sol – dormita à sombra dos palmares.” 

     Manuel Bandeira  e Mário de Andrade também se utilizaram 
 dessa figura de pensamento para homenagear suas cidades     
natais: 

      
   
     “Recife      
     Não a Veneza americana 
     Não a Mauritssadt dos armadores da Índias Ocidentais 
     Não o Recife dos Mascates 
     Nem mesmo o Recife que aprendi a amar depois – 
                           Recife das revoluções libertárias, 
     Mas o Recife sem história nem literatura 
     Recife sem mais nada 
     Recife da minha infância” 
                         (M. B. – RECIFE) 

     “Minha Londres das neblinas finas! 
     Pleno verão. Os dez milhões de rosas paulistanas. 
                           (M. A. – PAISAGEM Nº 1) 

     Em vários poemas sobre Parnaíba publicados no ALMANAQUE DA PARNAÍBA (edições de nºs. 61/1994 a 65/1998), na seção denominada PARNÁRIAS, colhi exemplos de expressões perifrásticas, aqui transcritas para que cada leitor eleja a que melhor retrata a cidade: 

     “A invicta Parnaíba, erguendo-se radiosa, 
     ................................................................... 
     Abre ao sol do Brasil seu lindo relicário.” 
                        (Alarico da Cunha – O CENTENÁRIO DE PARNAÍBA) 

     “E que você seja sempre 
     Rainha do Igaraçu, 
     Princesa do Piauí!” 
         (R. Petit – TERRA CABOCLA) 

     “Deusa do Igaraçu, Princesa das Canárias, 
     Tens como trono e sólio essas famosas ilhas.” 
                    (Jesus Martins – PARNAÍBA) 

     “És a Princesa de Simplício Dias!” 
                  (Oliveira Neto – PARNAÍBA) 

     “Foste líder na história piauiense, 
     Ao Progresso e à cultura dás abrigo, 
     Linda joia do nordeste brasileiro.” 
                 (Fernando Ponte – PARNAÍBA) 

     “parnaibano nato declaro: 
     é  aqui 
                  e não ali 
                                  ou alhures 
     o meu lugar 
     a partir de 1762 Vila de São João da Parnaíba 
     e de 1844 para cá e para sempre cidade da Parnaíba 
     porta do delta único das Américas em mar aberto.” 
                         (Alcenor Candeira Filho – O MEU  LUGAR) 

     “PARNAHYBA, NORTE DO BRASIL, eu conheço bem essa histó- 
                                                                                                            [ria.” 
                           Danilo Melo – PARNAHYBA) 

      “Parnahyba, Norte do Brasil” – representa a forma como a cidade era chamada, particularmente em anúncios publicados no ALMANAQUE DA PARNAÍBA, durante o apogeu  de seu   
desenvolvimento econômico, na primeira metade do século XX. 
     Inácio Marinheiro de Oliveira publicou em 2014 um dos mais belos  livros sobre Parnaíba, com muitas fotografias e textos do autor. O título do livro encerra uma perífrase: PARNAÍBA, A PÉROLA DO LITORAL BRASILEIRO. 
     “Princesa do Igaraçu” e “Rainha do Delta” são outros  exemplos de construções perifrásticas muito usadas pelos parnaibanos. 
     Qual a mais expressiva para você, caro leitor?