sexta-feira, 7 de abril de 2017

Procurador aceita denúncia e pede anulação de título do Parnahyba

O procurador da comissão disciplinar do Tribunal de Justiça Desportiva (TJD-PI), Fabrício Carvalho, acatou a denúncia do Flamengo-PI, que pediu a anulação da semifinal contra o Parnahyba, no primeiro turno do Campeonato Piauiense, por causa da suposta escalação irregular do atacante Fabiano. O processo foi entregue ao presidente do tribunal, Luciano Benigno, na tarde desta quinta-feira e agora será julgado na comissão. O Parnahyba será oficialmente comunicado para apresentar defesa. No despacho, Fabrício Carvalho pede a eliminação do Parnahyba e que a final do turno seja refeita entre Flamengo-PI e Altos.
Fabrício Carvalho aceitou o argumento do jurídico do Flamengo-PI, que encontrou no regulamento do Campeonato Piauiense uma brecha na redação sobre suspensão automática, quando o atleta leva dois cartões amarelos na partida. Segundo o procurador, a regra específica do estadual é diferente das demais competições.
- Ofereci a denúncia, agora o processo vai se iniciar. A palavra final será dada no julgamento, não é a minha. Fiz uma interpretação literal do regulamento específico do Campeonato Piauiense, que diz que quando o atleta recebe dois amarelos e em seguida o vermelho, o cartão amarelo permanece vigente. Então, não é um argumento absurdo do Flamengo-PI. Se não tivesse fundamento, eu iria arquivar – explicou Fabrício.
O procurador ressaltou que estudou minuciosamente a peça apresentada pelo Fla-PI. Para ele, a consequência lógica seria a eliminação do Parnahyba do turno – pedido também feito ao Tribunal de Justiça Desportiva. Fabrício afirmou que o regulamento foi assinado por todos os times, ou seja, tinham a ciência da regra da suspensão automática.
- Isso é uma denúncia, vale lembrar. Existe sim a possibilidade do Parnahyba perder o título, ele violou o regulamento. O Flamengo-PI viu essa brecha, nos provocou e estamos dando a resposta – disse Fabrício, completando.
- O regulamento do estadual apresenta essa particularidade. No Piauí, há a diferença e foi opção de valer um cartão. Todos os times assinaram o regulamento, que antes de valer foi esclarecido ponto a ponto. Por isso, com essa minha decisão, estou zelando pelo regulamento – concluiu.
ENTENDA O CASO
O artigo 24 do regulamento do Campeonato Piauiense trata sobre a suspensão automática por causa dos cartões amarelos. No parágrafo primeiro, determina que quando um atleta recebe um cartão amarelo durante a partida e, sem seguida, um vermelho direto, este mesmo atleta cumprirá suspensão automática na rodada seguinte e continuará com o acúmulo do primeiro cartão amarelo.
Contudo, no parágrafo segundo, o regulamento determina que, quando um jogador receber um cartão amarelo e posteriormente um segundo cartão amarelo, com a exibição consequente do vermelho, “o cartão amarelo não será considerado para o computo da série de três suficientes para a suspensão automática”. O trecho é diferente do regulamento geral de competições da CBF, que fala em “cartões amarelos não computados”. O curioso é que o regulamento do estadual diz que a regra segue determinação da CBF e FIFA, mas não é o que acontece.
A Federação de Futebol do Piauí (FFP) emitiu ofício ao Parnahyba, após uma consulta formal do clube azulino, dizendo que no sistema da entidade não consta irregularidade de suspensão automática de Fabiano para a semifinal do turno, vencida pelo Tubarão. Para a FFP, que organiza o campeonato, o clube jogou a semifinal legal.
LINHA DO TEMPO: ESCALAÇÃO DE FABIANO
Fabiano recebeu o primeiro cartão amarelo no campeonato dia 18 de fevereiro, na terceira rodada do turno, na partida entre Picos e Parnahyba, disputada na Cidade Modelo. Na rodada seguinte, o jogador recebeu dois cartões amarelos no duelo com o Piauí e, em seguida, o vermelho. Por conta da expulsão, o camisa 9 cumpriu suspensão automática na 5ª rodada.
Depois de cumprido o gancho, Fabiano voltou a jogar e foi novamente punido com um cartão amarelo, mas na 7ª rodada, no jogo entre Parnahyba e Flamengo-PI, no litoral. De acordo com o Leão, o jogador teria acumulado, nesta ocasião, o terceiro cartão amarelo na temporada e que forçaria uma nova suspensão. Contudo, Fabiano foi escalado na semifinal – jogo seguinte – diante do próprio Flamengo-PI, em Teresina. Pela lógica do Fla-PI, Fabiano jogou com três cartões amarelos. O Parnahyba diz que o atacante tinha computado dois.
O QUE DIZEM OS PRESIDENTES
Tiago Vasconcelos, do Flamengo-PI: “Quem decide é TJD-PI. Vimos a brecha no regulamento, o entendimento do nosso corpo jurídico é que estamos corretos no que estamos pleiteando. Se nós temos a lei ao nosso favor, o regulamento nos aparando, vamos pleitear. É natural, acontece. Queremos que o time ganhe dentro de campo, mas não seja prejudicado fora. Se baseando pelo regulamento esteja nos prejudicando, vamos trabalhar para o Flamengo-PI não ser prejudicado”.
Batista Filho, do Parnahyba: “Ele quer criar terror. Vejo como uma atitude irresponsável. Até o prazo para recorrer é de três dia antes da partida. Ai fica o cara provocando um tumulto desse. Ele diz que está defendendo o clube dele, mas está tumultuando o campeonato. O sistema da federação e da CBF acusa quando o jogador que está irregular. Não tem como jogar suspenso. Ele está argumentando porque o regulamento tem um trecho no singular. Mas é totalmente claro”.
Fonte: Globoesporte.com/PI