terça-feira, 16 de maio de 2017

Na Câmara, cirurgiã dentista expõe situação precária da rede de assistência à saúde bucal do município de Parnaíba

A cirurgiã dentista, Marina Teles, fez o uso da tribuna na Câmara de Parnaíba na última sessão legislativa do mês para expor a precariedade tanto da estrutura física utilizada para a prestação de serviços a comunidade, como também, para falar da desvalorização profissional que sofre a categoria. A fala foi prestigiada pelos colegas que fazem parte da rede de assistência do município, pelo Conselho Regional de Odontologia - regional de Parnaíba e representantes da Comissão de Ética e de Fiscalização.
De acordo com Marina, o município de Parnaíba possui em torno de 30 dentistas efetivos, onde 18 (dezoito) fazem parte do Programa de Saúde Bucal – PSB e 12 (doze) integram o Centro de Especialidades Odontológicas – CEO. Conforme informações da profissional, o CEO, Juvenal Galeno da Silva, conquistou certificação do ministério da saúde, através do Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade dos Centros de Especialidades Odontológicas - PMAQ-CEO, conforme a portaria n° 677, de 3 de junho de 2015.
Os odontólogos que cumprem sua função de forma responsável e compromissada, volta sua atenção também para o caráter social, por meio de orientações que objetivam a prevenção através do Programa Saúde na Escola e Saúde da Família.

Ela relatou também que, conforme resoluções e regulamentos do Ministério da Saúde quanto à saúde bucal, o que normatiza um tratamento satisfatório, Parnaíba deveria ter o triplo de dentistas que tem hoje em seu quadro. Por assim não ser, os odontólogos são submetidos a sobrecarga de trabalho, já que o atendimento é um direito do paciente de áreas descobertas.

Marina Teles enfatizou que o ambiente onde os cirurgiões trabalham em condições adversas, em consultórios com estrutura física deficiente e ambiente insalubre. “Deparamo-nos com impossibilidades, como a falta de insumos e problemas técnicos no consultório odontológico, faltando-nos, por vezes, até segurança”.

“A valorização de um serviço deve iniciar pelo reconhecimento do profissional que o exerce, mas o que estamos vivenciando é a nossa desvalorização, com um salário não reajustado, que sofre perdas reais ano após ano”, ressaltou a dentista.

Entre as reivindicações da categoria estão, a Implementação do Plano de Cargos, Carreira e Salários – PCCS, pois o que existe nesse sentido não contempla satisfatoriamente os trabalhadores, pois não acrescenta ganho real de salário, pois os índices inflacionários superam o que o PCCS adiciona ao contracheque. Além da valorização, estrutura adequada para o desempenho profissional, pois estão expostos a riscos de contrair doenças infecto contagiosas, como também perda da audição e problemas na visão.

No contexto do Programa de Saúde da Família e Bucal, o cirurgião dentista é o único profissional a realizar cirurgias, nem mesmo o médico faz, porém, a remuneração é mais baixa. “De acordo com a Norma Regulamentadora NR 15 do Ministério da Saúde coloca o mercúrio e o formol como substâncias insalubres em grau máximo, o que nos daria o direito de ao adicional de 40% a ser acrescido nos vencimentos e não os 20% recebidos atualmente”, lembrou Marina Teles.

Após a sua fala, a dentista foi questionada por vereadores quanto a situação de postos de assistência odontológica no município de Parnaíba.

Por Tacyane Machado