segunda-feira, 9 de abril de 2018

Para aliados, campo progressista precisa se ampliar

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Wellington Dias e Orlando Silva: união no campo progressista
 para uma luta que promete ser longa
São Bernardo do Campo (SP) –  "Se engana quem pensa que é possível prender alguém do tamanho do Lula", afirmava o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), pouco depois do ato em São Bernardo do Campo. "O Lula não cabe numa cadeia. O Lula é um projeto para o Brasil, para a geopolítica mundial", acrescentou, pensando também nos próximos passos. "Agora, é hora de ter essa integração de um campo político. Esse campo tem de se ampliar. Quem defende a democracia sabe que eles não vão parar."
Antes do ato, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) mostrava abatimento com o desfecho das negociações que definiram a ida do ex-presidente para Curitiba, mas ponderou que era apenas uma batalha. "Estamos numa guerra. Temos de estar preparados para uma guerra longa", afirmou, ressaltando a importância de "não romper todas as pontes com o Poder Judiciário". 
O "jogo político" é depois, acrescenta Orlando. Neste momento, no campo do adversário, com a torcida contra e com juiz também apitando contra.
Aos poucos, os arredores do sindicato foram sendo tomados pelos manifestantes que aguardavam Lula e queriam, enfim, saber qual seria a sua decisão sobre se entregar à Polícia Federal. Não eram poucos e nem atordoados, como um veículo da mídia tradicional chegou a dizer. Estavam lá todos os presidentes do Sindicato dos Metalúrgicos no pós-Lula: Jair Meneguelli, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, Heiguiberto Della Bella Navarro, o Guiba, Luiz Marinho, Sérgio Nobre, Rafael Marques e o atual, Wagner Santana, o Wagnão. 
Muitos choraram. "É preciso ser forte", dizia Zelinha Feitosa, militante de décadas que mantém um café e uma pequena loja dentro do sindicato, onde é possível encontrar, por exemplo, camisetas de João Ferrador, personagem-símbolo dos metalúrgicos, criado nos anos 1970.
Ainda cedo, Vicentinho também se mostrava inconformado, falando em "estado de barbárie" no Brasil. "A prisão de Lula significa a prisão da esperança do povo brasileiro, por mais direitos, pela soberania do nosso país", afirmou o deputado federal (PT-SP) e também ex-presidente da CUT. 
Já depois da missa, Dirceu Soares, outro ex-metalúrgico, lembrava da primeira Caravana da Cidadania, comandada por Lula em 1993, pelas regiões Nordeste e Sudeste, e as transformações, para melhor, que o Brasil teve nesse período.
Era para isso que Wellington Dias chamava a atenção, ao falar que está em jogo o "pacto" firmado na Constituição de 1988. "Esse pacto foi rasgado. O Parlamento quebrou o pacto, o Judiciário quebrou. A diferença é que a o Brasil já experimentou esse novo projeto (referindo-se a Lula). Será que vai abrir mão disso?", questionou. Uma mulher se aproxima, preocupada: "Será que não vão fazer maldade com Lula na prisão?". Ele tenta tranquilizá-la.
Lembrando de sua condição de "índiodescendente", cita uma expressão em tupi-guarani: jijagum. "A luta continua", traduz.
Perto dali, está o ator Osmar Prado, que pouco antes Lula havia cumprimentado no carro, dizendo considerar inesquecível o personagem Tabaco, da novela Roda de Fogo (1986/1987). "Nesse ajuntamento de pessoas, saio daqui fortalecido. Eu vim aqui também para me fortalecer."
Rede Brasil Atual